Pesquisa sobre o “Cenário atual e perspectivas futuras da pesquisa clínica no Brasil” ganha destaque na ASCO 2023 e revista eCancer Medical Science

Em um esforço para compreender o panorama da pesquisa clínica em oncologia no Brasil, o Instituto Projeto CURA realizou um estudo científico em parceria com o LACOG – Grupo Latino-Americano de Oncologia Cooperativa, intitulado “Cenário atual e perspectivas futuras da pesquisa clínica no Brasil: uma pesquisa nacional”.

Liderada pela autora principal, Dra. Heloisa Resende, Oncologista e Pesquisadora, membro do Grupo Latino-Americano de Oncologia Cooperativa (LACOG) e Presidente do Comitê Científico do Instituto Projeto CURA, em colaboração com uma equipe de pesquisadores renomados, o estudo teve como objetivo avaliar os comportamentos atuais e as tendências futuras dos oncologistas brasileiros em relação à pesquisa clínica no cuidado de seus pacientes oncológicos.

As descobertas deste estudo foram publicadas na conceituada revista eCancer Medical Science, mostrando a importância da pesquisa na comunidade científica e, a Dra. Heloisa Resende, desempenhou um papel fundamental no avanço desta iniciativa. Confira a publicação acessando o link.

Uma conquista notável foi a aceitação desta pesquisa para publicação no ASCO 2023, o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, o maior encontro de profissionais de oncologia do mundo, realizado em Chicago, EUA, no dia 2 de junho.

Confira o vídeo da Dra. Heloisa Resende (Centro de Pesquisas Jardim Amália) falando sobre o estudo “Um levantamento nacional do cenário atual e perspectivas futuras da pesquisa do câncer no Brasil” apresentado na Reunião Anual da ASCO 2023.

https://www.instagram.com/p/CtZ0oMcrwy

As principais conclusões da pesquisa esclarecem os seguintes aspectos:

– Demografia dos médicos participantes: A maioria dos médicos envolvidos no estudo trabalha predominantemente nas capitais e é vinculada exclusivamente a serviços privados de saúde. 57% dos entrevistados trabalham na região Sudeste e 77% nas capitais.

– Comunicação sobre Pesquisa Clínica: 1/3 de médicos entrevistados encaminham menos de 1% de seus pacientes para participarem de pesquisas clínicas

 – Os resultados do estudo sugerem uma clara necessidade de maior envolvimento dos médicos nas atividades de pesquisa clínica no Brasil. As estratégias para a educação dos pacientes são identificadas como cruciais para melhorar as baixas taxas de recrutamento e, consequentemente, aumentar o número de ensaios propostos no país.

Aqui está o resumo da publicação “Cenário atual e perspectivas futuras da pesquisa clínica no Brasil: uma pesquisa nacional”

Contextos: A pesquisa epidemiológica e clínica do câncer é essencial para compreender o comportamento do tumor e o desenvolvimento de novas terapias em oncologia. No entanto, vários países incluindo o Brasil, bem como muitas outras regiões do mundo, têm participação limitada nos estudos clínicos sobre o câncer. Apesar de 625 mil novos casos de câncer terem sido registrados no Brasil em 2022, apenas 2,2% dos ensaios clínicos sobre câncer em andamento estão disponíveis no país. Realizamos uma pesquisa on-line para descrever o envolvimento dos médicos com pesquisa clínica e para identificar as principais barreiras que impedem a participação e a condução de estudos clínicos sobre o câncer no país.

Métodos: Uma pesquisa on-line anônima com 23 questões objetivas foi enviada por e-mail aos membros brasileiros do Grupo Latino-Americano de Oncologia Cooperativa e da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. As primeiras 13 questões abordaram informações demográficas, formação médica e participação anterior em pesquisas. Na segunda parte, foram abordadas as principais barreiras ao engajamento e participação em ensaios clínicos no Brasil. As variáveis ​​contínuas foram medidas por mediana e amplitude. As análises foram realizadas utilizando o software estatístico SAS (versão 9.4; SAS Institute, Inc. Cary, NC).

Resultados: 109 médicos responderam à pesquisa. A maioria dos participantes eram oncologistas (N = 98, 89,9%), residiam em capitais (N = 84, 77,1%), eram procedentes da região Sudeste do Brasil (N = 63, 57,8%) e trabalhavam em instituições que prestavam assistência exclusivamente privada ( N = 59, 54,1%). Dos 109 entrevistados, 83 (76,1%) relataram trabalhar em centros de pesquisa (como investigadores ou sub investigadores). Surpreendentemente, 31,2% dos médicos reconheceram que convidam menos de 1% dos seus pacientes para participar em ensaios clínicos, embora 98 (89,9%) considerem a participação de pacientes em ensaios clínicos extremamente relevante. As principais barreiras que comprometiam a condução das pesquisas no país eram o baixo número de ensaios disponíveis (48,2%) e a falta de recursos humanos qualificados para equipar os locais de pesquisa (22,9%). Outras barreiras relatadas foram o longo processo de aprovação regulatória (42,2%), seguido pela falta de conhecimento da pesquisa clínica por parte dos pacientes, resultando em baixas taxas de recrutamento (24,1%). Dos 26 (23,8%) entrevistados que não trabalham com pesquisa, 25 (96,1%) relataram interesse em se envolver, 31,8% já tentaram participar de pesquisas e 62,4% relataram conhecimento limitado dos procedimentos dos ensaios clínicos.

Conclusão: Esses resultados sugerem uma clara necessidade de maior envolvimento dos médicos nas atividades de pesquisa clínica no Brasil. As estratégias de educação dos pacientes deverão melhorar as baixas taxas de recrutamento e, secundariamente, aumentar o número de ensaios propostos no país.

Autores:
Heloisa Resende, Taiane Francieli Rebelatto, Gustavo Werutsky, Gustavo Cartaxo de Lima Gössling, Vinícius Aguiar, Guilherme Lopes, Biazi Assis, Lilian Martins Arruda, Carlos H. Barrios

Fonte: https://ecancer.org/en/journal/article/1640-current-scenario-and-future-perspectives-of-clinical-research-in-brazil-a-national-survey